Convite para participar

Convite para participar da Campanha por um Currículo Global da Economia Social Solidária

No âmbito da implementação da Agenda 2030, e considerando que a base para a realização de todos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), ou Objetivos Mundiais, é uma Educação de Qualidade (Objetivo 4), partindo da crítica ao atual modelo de economia predatória e dos padrões insustentáveis de produção e consumo (Objetivo 12), nós, um coletivo de organizações e redes de Economia Social e Solidária, tomamos a iniciativa de propor uma Campanha por um Currículo Global de Economia Social Solidária (1).

A campanha propõe um Currículo Global baseado em um núcleo de princípios socioeconômicos e práticas sustentáveis relevantes em todo o mundo e que cada currículo nacional poderá adequar às diferentes necessidades que se apresentem em seus territórios, atendendo a diversidade de culturas e costumes existentes. Um currículo que consolide as bases dos processos solidários de uma economia justa e igualitária capaz de erradicar a pobreza material e espiritual, como demonstram as milhares de experiências no mundo em segurança alimentar, com produção sem agrotóxicos que, além de uma alimentação sadia e responsável, gera vínculos de respeito com a natureza  da terra, o ecossistema em geral e as mudanças climáticas em particular.

Tomando a educação como pilar da vida, este Currículo Global da Economia Social Solidária garante aprendizagens baseadas nas práticas de consumo ético, crítico e responsável, nas formas de organizar o trabalho, por meio de decisões compartilhadas e democráticas, com distribuição igualitária dos resultados. Promove o conhecimento das energias renováveis, valoriza a igualdade de gênero no centro da economia e o desenvolvimento de cidades e comunidades a partir do decrescimento econômico. É um currículo que reconhece que todos os sistemas de conhecimento no mundo são ciências e que a sabedoria das nações indígenas, povos originários, das florestas e de produtores experimentadores  é ciência endógena, com uma epistemologia ou quadro teórico próprio, o que implica na forma em que o conhecimento se organiza – sua lógica, componentes teóricos, paradigmas, gnosiologia e ontologia tão diversos.

Esta iniciativa assume a visão do pensamento complexo para uma Educação Inclusiva, Igualitária e de Qualidade, e promove oportunidades de aprendizagem durante toda a vida (ODS 4), que existirá realmente se fortalecermos e difundirmos que outra economia é possível e ela já acontece (tema FSM Temático): a Economia Social Solidária.

Por fim, sabemos que, mudando o modelo dominante de desenvolvimento econômico, a humanidade pode alcançar a paz que tanto desejamos (ODS 16) e frear os danos causados pelas mudanças climáticas (ODS 13). Um novo modelo econômico, solidário e sustentável permitirá alcançar, entre outros Objetivos de Desenvolvimento Sustentável:

1) extinguir a pobreza em todas as suas formas em todo o mundo;

2) extinguir a fome, conquistar a soberania e segurança alimentar e a melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável;

3) garantir a saúde coletiva, uma vida saudável e promover o bem viver  para todos e todas, em todas as idades;

5) conquistar a igualdade entre os gêneros e empoderar a todas as mulheres;

7) garantir o acesso a uma energia acessível, segura, limpa, sustentável e  renovável para todos;

8) promover o crescimento econômico sustentável, inclusivo e duradouro, o emprego pleno e produtivo, e o trabalho decente para todos;

12) garantir modalidades de consumo e produção sustentáveis.

Não partimos do zero, já existe um longo caminho percorrido pelos países e importantes iniciativas, muitas delas reconhecidas e apoiadas pela UNESCO, no contexto da Educação para a Cidadania Global, como o projeto “Global Curriculum” (2010-2012), dirigido por três organizações europeias, uma brasileira e uma de Benin, África, que reuniu educadores da Áustria, Benin, Brasil, República Tcheca e Reino Unido, na preparação de cinco manuais do Currículo Global (2) – um por cada país. Na mesma direção, entre 2013 e 2015, o projeto “World Class Teacher” (Professor de Classe Mundial) foi desenvolvido por organizações de sete países europeus e consultores especialistas do Brasil e Benin. Em outras partes da Europa, os jovens líderes do Movimento de Escoteiros tem guiado suas ações pelos princípios da cidadania e da sustentabilidade global. Na América Latina se destacam, entre outras muitas iniciativas, as do Instituto Paulo Freire do Brasil, que implementa nas escolas a abordagem da ecopedagogia; o Centro de Criação de Imagem Popular (CECIP), que representou no Brasil o Projeto Curriculum Global, e difunde o conceito de Educação para a Cidadania Global no Curriculum Global Brasil; a Rede Internacional de Educação e Economia Social Solidária, formada por organizações e membros do Equador, Brasil, Bolívia, Cuba, Colômbia, Chile, Uruguai, Paraguai, México, Peru, Venezuela, França, Espanha, Nicarágua e Argentina. Na África, destacamos as experiências de Nego-Com, no Benin, e Amani Kibera, no Quênia. Na Ásia, Oceania e inclusive no Oriente Médio se realizam ações educativas para superar o modelo econômico que produz desastres sociais e ambientais em escala planetária.

Sem dúvida, o Fórum Social Mundial, cuja primeira edição ocorreu em 2001,apresenta um cenário contra-hegemônico às políticas neoliberais e segue sendo um ponto de referência nas lutas por “Outro Mundo é Possível”. Nesse contexto, a Campanha por um Currículo Global da Economia Social Solidária interpela o sistema econômico capitalista dominante e enfrenta um pensamento cujas práticas assumem a atividade econômica como atividades remuneradas, onde a única produção de bens e serviços reconhecida como econômica é a que envolve as transações do mercado monetizado e o poder de compra. Naturalizando assim uma economia de mercado que reduz todas as trocas exclusivamente a relações mercantis, e uma sociedade de mercado que reduz todos os interesses ao lucro material e individual.

Por isso, a Campanha por um Currículo Global da Economia Social Solidária gera uma educação descolonizadora, intercultural e emancipatória. Resgata os fundamentos da educação popular e promove um diálogo de saberes entre o saber científico e humanístico, e os saberes populares, tradicionais, do interior, urbanos e rurais que circulam nos territórios.

A Campanha por um Currículo Global da Economia Social Solidária deve ser implementada por uma multi-coordenação de educadores(as), investigadores(as), ativistas de diversos países. Estamos convidando os profissionais da lista a seguir a assumir a responsabilidade para impulsionar e dar visibilidade aos processos de intercâmbio para o debate e co-produção das políticas públicas em educação para uma economia social e solidária.

Em 30 de novembro de 2016 se realizou a primeira comunicação virtual na plataforma Skype Notes. A segunda reunião foi em 16 de fevereiro de 2017, em espanhol, por Webinar Notas, e em 17 de fevereiro de 2017, no idioma inglês.

A reunião presencial ocorreu em dois dias no Brasil, Rio de Janeiro, na sede do CECIP – Centro de Criança de Imagem Popular, 16 e 17 de março de 2017, com o objetivo de debater futuras estratégias.

Em 22 de agosto de 2017, a Campanha por um Currículo Global para a Economia Social Solidária estará no “I Congreso Internacional en Cooperativismo y Economía Social Solidaria” e no “IX Encuentro de la Red Nacional de Investigadores y Educadores en Cooperativismo y Economía Solidaria (Redcoop)”. A Redcoop foi incluída nas atividades de CLACSO, e seu 50º aniversário será na Faculdade de Economia (BUAP), em Puebla, México.

  1. O logo desta campanha nos foi gentilmente cedido pelo diretor do CECIP, Claudius Ceccon, e traz o símbolo do projeto Curriculum Global para a Sustentabilidade no Brasil.
  2. Ver, como exemplo, o Manual do Currículo Global – Formando Cidadãos Planetários em Escolas Brasileiras”, editado pelo CECIP, em: http://www.cecip.org.br – representando o Brasil no projeto “Global Curriculum” e disseminando no Brasil o conceito de Educação para a Cidadania Global.

Currículo Global Economia Social Solidária

Grupo Multi-coordenação da Campanha por um Currículo Global da Economia Social Solidária